Economia

Por que ensinar educação financeira aos jovens é urgente para o futuro das famílias brasileiras

Em apuração ?

Crédito caro, inflação e alto endividamento mostram que entender dinheiro vai além da matemática tradicional

Jovem estudando finanças pessoais.
Imagem: CNN Brasil

Com quase 80% das famílias endividadas e mais de 70 milhões de inadimplentes, especialistas indicam que incluir educação financeira na adolescência pode ajudar a formar hábitos financeiros saudáveis para a vida adulta.

Ensinar jovens a administrar dinheiro não é mais apenas um diferencial nas escolas e famílias brasileiras, mas uma necessidade urgente diante dos números alarmantes de endividamento e inadimplência no país. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), atualmente 78,8% das famílias brasileiras estão endividadas, marca que representa o maior percentual registrado desde novembro de 2022.

O cenário preocupa ainda mais quando se observa que 30,4% dessas famílias possuem dívidas em atraso. A inadimplência atinge diretamente 43,1% da população adulta, conforme indicam dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil referentes a agosto de 2025. São 71,7 milhões de brasileiros com o nome negativado, um crescimento de 9,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para especialistas em economia, esses números estão longe de refletir apenas as condições econômicas adversas vividas no país. "O uso inadequado do cartão de crédito, do cheque especial e de empréstimos costuma ser consequência de hábitos financeiros pouco desenvolvidos ao longo da vida", destaca um estudo da CNN Brasil. Por isso, recomendam que a educação financeira seja iniciada ainda na adolescência, fase crucial para a formação de comportamentos relacionados ao consumo.

A inclusão de conteúdos práticos como planejamento financeiro, consumo consciente, orçamento familiar e conceitos básicos de investimento durante a adolescência tem potencial para modificar significativamente o comportamento financeiro dos jovens. "Ensinar esses conceitos aumenta as chances de que eles façam escolhas mais equilibradas no futuro", afirmam economistas consultados.

Embora o ensino tradicional de disciplinas como matemática, português e ciências continue fundamental, a discussão sobre dinheiro ganha cada vez mais espaço nas escolas e casas, especialmente diante do cenário de inflação persistente e crédito com juros elevados. Ainda não há confirmação oficial de que medidas educativas estejam sendo ampliadas em todo o país, mas o debate aponta para a necessidade de preparar as novas gerações para evitar o ciclo de endividamento que atinge milhões hoje.

Publicidade

O que sabemos?

  • 78,8% das famílias brasileiras estão endividadas, maior índice desde novembro de 2022
  • 30,4% das famílias possuem dívidas em atraso segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic)
  • Em agosto de 2025, 71,7 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, um aumento de 9,2% em relação ao ano anterior
  • Especialistas defendem que a educação financeira deve começar na adolescência para formar hábitos saudáveis

Fontes

Publicidade