Dívida pública brasileira atinge 82,5% do PIB, maior nível em cinco anos
Em julho, dívida bruta do governo geral chegou a R$ 10,9 trilhões, enquanto orçamento de 2027 prevê superávit de R$ 20 bilhões
Em meio a gastos que seguem pressionando as contas públicas, o endividamento do setor público alcançou o maior patamar desde 2021, com impacto direto na economia e desafios para controle fiscal.
A dívida bruta do governo geral (DBGG) do Brasil alcançou 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (31). Esse é o maior nível registrado desde abril de 2021, momento em que as despesas federais aumentaram significativamente para enfrentar a pandemia da Covid-19. Em valores nominais, a dívida atingiu R$ 10,9 trilhões, o que significa que o país teria que destinar quase todo o PIB de quase um ano para conseguir pagar o débito acumulado.
O levantamento considera a soma das dívidas do governo federal, estados, municípios e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo o Banco Central, de junho para julho, o endividamento público cresceu 0,6 ponto percentual — um aumento equivalente a mais de R$ 100 bilhões. A trajetória de alta vem acontecendo desde o começo de 2023, sendo que neste ano a dívida avançou mais de 11 pontos percentuais.
Esse crescimento ocorre mesmo diante do registro de superávit primário no setor público em julho, de R$ 1,4 bilhão, que representa o saldo positivo do governo antes do pagamento de juros da dívida. Porém, no acumulado de janeiro a julho, o rombo no orçamento foi superior a R$ 78 bilhões. As estatais federais também apresentaram déficit nos primeiros sete meses de 2026, com um resultado negativo de R$ 8,3 bilhões — o pior desempenho para esse período desde 2002, início da série histórica.
O aumento da dívida pública expressa a situação em que o governo precisa se endividar para cobrir gastos maiores do que a arrecadação de impostos. Isso eleva o risco fiscal e dificulta a redução das taxas de juros pelo Banco Central, tornando o custo do crédito mais alto para investidores e consumidores e, consequentemente, comprometendo o ritmo de crescimento econômico.
Em contrapartida, o governo federal enviou ao Congresso Nacional nesta segunda-feira o Orçamento de 2027, que prevê um superávit primário efetivo de R$ 20 bilhões — o melhor resultado desse tipo em mais de uma década. A última vez que o Orçamento projetou um superávit maior foi em 2014, para o ano de 2025, com previsão de R$ 86 bilhões na época. No entanto, especialistas comentam que essa meta, embora positiva, ainda pode ser insuficiente para estabilizar a dívida pública a médio e longo prazo.
Na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o aumento da dívida durante entrevista à TV Globo, minimizando a alta. Desde o início do terceiro mandato do governo Lula, a dívida cresceu mais de 10 pontos percentuais, partindo de 71,68% do PIB registrados em dezembro de 2022 para os atuais 82,5%. O cenário aponta para um desafio fiscal relevante que o governo e a economia brasileira precisam enfrentar nas próximas gestões.
O que sabemos?
- Dívida bruta do governo geral atingiu 82,5% do PIB em julho de 2026.
- Valor nominal da dívida está em R$ 10,9 trilhões.
- Orçamento de 2027 prevê superávit primário de R$ 20 bilhões.
- Estatais federais acumularam déficit de R$ 8,3 bilhões nos primeiros sete meses de 2026.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- G1 imprensa
- G1 imprensa





