Economia

A trajetória da desigualdade durante os governos do PT: avanços sob uma nova luz

Em apuração ?

Estudos recentes revelam que a queda observada na desigualdade tem nuances importantes quando considerados os mais ricos

Gráfico representando a distribuição de renda no Brasil
Imagem: Folha de S.Paulo

Embora dados oficiais mostrem redução da desigualdade na era PT, pesquisas que combinam dados do Imposto de Renda indicam uma desigualdade mais persistente, sobretudo no topo da pirâmide social.

Durante parte dos governos do Partido dos Trabalhadores (PT), amplamente divulgou-se uma narrativa otimista sobre a redução da desigualdade no Brasil. Segundo levantamento da PNAD, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, indicadores como o índice de Gini apresentaram queda, e a renda dos brasileiros mais pobres cresceu, o que resultou no avanço de milhões de pessoas na estrutura da distribuição de renda.

No entanto, o economista e ciclista, duas vezes vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico e doutor pela USP, destacando sua coordenação no Insper e passagem como visiting scholar em Columbia, Stanford e Oxford, ressalta que essa história exige uma “grande nota de rodapé”. Isso porque pesquisas domiciliares, como a PNAD, apesar de eficientes para captar o panorama da maioria da população, têm limitações para retratar com precisão os brasileiros no topo da pirâmide econômica.

Estudos recentes, que combinam dados da PNAD com informações do Imposto de Renda, apontam para uma realidade diferente: o Brasil é mais desigual do que indicam apenas as pesquisas domiciliares. De acordo com esses estudos, a desigualdade persiste fortemente no topo da pirâmide. Ou seja, ainda que tenha havido mudanças significativas entre trabalhadores, a população pobre e parte da classe média, com um mercado de trabalho menos desigual, salários mínimos crescentes em termos reais e ampliação das transferências de renda, a concentração de riqueza entre os muito ricos permanece alta.

Essa combinação indica que uma parcela da queda da desigualdade percebida nas pesquisas tradicionais ocorreu “abaixo do topo”, refletindo ganhos principalmente nas camadas mais baixas da distribuição de renda. Assim, enquanto a renda de boa parte dos brasileiros melhorou, os dados sugerem que o topo da pirâmide continuou a concentrar grande parte da riqueza.

Até o momento, essa análise foi divulgada apenas pela Folha de S.Paulo e ainda não recebeu confirmação oficial de outras fontes. O tema é relevante para o entendimento das dinâmicas socioeconômicas brasileiras e para a avaliação de políticas públicas adotadas durante os governos do PT, destacando a complexidade de medir desigualdade em um país tão heterogêneo quanto o Brasil.

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O que sabemos?

  • Durante os governos do PT, dados da PNAD indicam queda da desigualdade e aumento da renda dos mais pobres.
  • Pesquisas domiciliares têm limitações para captar a real concentração de renda entre os muito ricos.
  • Estudos que unem PNAD e dados do Imposto de Renda apontam para uma desigualdade mais persistente no topo da pirâmide.
  • A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo e ainda não foi confirmada por outras fontes.

Fontes

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