Pipelines abandonados nas plataformas britânicas liberam centenas de toneladas de microplásticos no mar
Estudo revela que infraestrutura submersa de petróleo e gás gera até 500 toneladas anuais de microplásticos no Mar do Norte
Uma pesquisa liderada pela cientista Freija Mendrik alerta para a poluição gerada por dutos deixados no fundo do mar após desativação de projetos offshore, estimando mais de 120 mil toneladas de plástico remanescentes e impacto significativo para a vida marinha.
Mesmo décadas após a desativação de projetos de petróleo e gás offshore, os resíduos restantes no fundo do mar continuam a gerar poluição. Segundo um estudo recente publicado no Journal of Hazardous Materials, as tubulações e conexões abandonadas na plataforma continental do Reino Unido liberam cerca de 500 toneladas métricas de microplásticos todos os anos. A descoberta destaca uma fonte pouco reconhecida de poluição marinha, que pode comprometer a vida no oceano.
A pesquisa foi conduzida pela cientista marinha Freija Mendrik, da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, que analisou dados da North Sea Transition Authority para contabilizar os dutos e cabos instalados na região desde a década de 1960. O setor de petróleo e gás no Reino Unido concentra-se principalmente no Mar do Norte, onde as atividades já duram mais de meio século. Mendrik e sua equipe calcularam que mais de 120 mil toneladas métricas de plástico permanecem no ambiente marinho, provenientes dessas infraestruturas.
De acordo com os autores do estudo, o cenário mais conservador para a liberação anual de microplásticos equivale à quantidade que os rios britânicos despejam no Mar do Norte anualmente. Em contraste, o cenário mais elevado supera amplamente a quantidade de microesferas de plástico que eram descartadas anualmente por produtos cosméticos antes de serem banidas no Reino Unido. "Nosso estudo é o primeiro a estimar a massa de plásticos contidos na infraestrutura de petróleo e gás na plataforma continental do Reino Unido", disse Mendrik.
O volume de microplásticos gerado vem de tubulações e cabos do tipo "umbilicais" – que incluem mangueiras e cabos que operam em conjunto com as instalações submarinas. Esses materiais se degradam ao longo do tempo, fragmentando-se em partículas que podem ser ingeridas por diversas espécies marinhas, com potenciais impactos para a cadeia alimentar e o ecossistema. Os dados de Mendrik indicam um problema que extrapola o setor petrolífero e se aplica a decisões sobre descomissionamento de estruturas semelhantes globalmente.
Essa descoberta traz à tona uma questão ambiental pouco discutida: enquanto a indústria se preocupa com a segurança da produção e o descarte de equipamentos visíveis, o abandono de infraestruturas submersas pode continuar a afetar os oceanos décadas após o fim da exploração. O estudo reforça a necessidade de políticas mais rígidas e monitoramento para lidar com os resíduos plásticos e seus efeitos duradouros, especialmente em áreas densamente exploradas pela indústria offshore, como o Mar do Norte.
O que sabemos?
- Abandono de dutos e cabos de petróleo gera cerca de 500 toneladas de microplásticos por ano no Reino Unido.
- Mais de 120 mil toneladas métricas de plásticos permanecem na plataforma continental da UK após descomissionamento.
- Liberação anual de microplásticos equivale à poluição dos rios britânicos no Mar do Norte.
- Impacto alcança níveis maiores que a poluição por microesferas de cosméticos antes do banimento.
O que ainda não foi confirmado?
- Informação divulgada apenas pela ScienceAlert; aguardando outras fontes.
Fontes
- ScienceAlert fonte especializada
