Ciência

Narvais equipados com sensores revelam dados inéditos no maior sistema de fiordes do mundo

Em apuração ?

Pesquisadores exploram Scoresby Sound, na Groenlândia, usando mamíferos marinhos para coletar informações que navios não conseguem alcançar

Narval em águas geladas da Groenlândia com sensor acoplado
Imagem: Revista Galileu

Seis narvais foram equipados com sensores para medir temperatura, salinidade e profundidade das águas em Scoresby Sound, região difícil de monitorar no Polo Norte. A pesquisa identificou, a 300 km da costa, vestígios de água oriunda do Atlântico nesse vasto complexo de fiordes.

Seis narvais (Monodon monoceros) equipados com sensores proporcionaram uma janela inédita para o estudo do Scoresby Sound, maior sistema de fiordes do mundo localizado na costa leste da Groenlândia. Segundo Mads Peter Heide-Jørgensen, professor do Instituto de Recursos Naturais da Groenlândia e responsável pelo estudo, esses mamíferos marinhos permitiram a coleta de dados sobre temperatura, salinidade e profundidade em áreas tão remotas e de difícil acesso que navios de pesquisa geralmente não conseguem alcançar.

O estudo publicado nessa quarta-feira (26) na revista Science Advances detalha como os narvais funcionaram como plataformas móveis de monitoramento ambiental. Ao seguirem seus deslocamentos naturais, os sensores capazes de registrar características físicas da água coletaram informações importantes de locais inéditos, principalmente a 300 km da costa, onde foram encontrados sinais de água oriunda do Atlântico. "É algo completamente novo que possamos demonstrar", afirmou Heide-Jørgensen em comunicado.

Essa descoberta é relevante porque o oceano na região é formado por uma mistura complexa de massas de água. Uma delas, a Água Polar, é fria e originária do Ártico, enquanto a outra, chamada de Água Intermediária Atlântica, é mais quente e salgada, chegando do Oceano Atlântico.

O emprego dos narvais nesses estudos é especialmente valioso pela dificuldade e alto custo de navios navegarem pelas águas geladas e acidentadas do Polo Norte. Estes mamíferos marinhos são adaptados a essas condições extremas, o que permite uma coleta de dados mais ampla e eficiente. "Agora, de repente, temos medições de locais que podemos usar em nossos modelos, o que nos dá uma visão muito mais completa do oceano", destacou o pesquisador.

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O que sabemos?

  • Seis narvais (Monodon monoceros) equipados com sensores coletaram dados sobre temperatura, salinidade e profundidade das águas em Scoresby Sound, região remota na costa leste da Groenlândia.
  • O estudo foi publicado numa quarta-feira (26), na revista Science Advances.
  • Os narvais atuaram como plataformas móveis de monitoramento ao registrar características físicas da água durante seus deslocamentos naturais.
  • Foram encontrados vestígios de água Atlântica 300 km da costa.
  • A região oceânica misturava duas massas de água: Água Polar, fria e ártica, e Água Intermediária Atlântica, mais quente e salgada.
  • Navios de pesquisa enfrentam dificuldades para alcançar essas áreas remotas, enquanto os narvais são adaptados a essas condições e proporcionaram medições inéditas.

O que ainda não foi confirmado?

  • Informação divulgada apenas pela Revista Galileu; aguardando outras fontes.

Fontes

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