Narvais ajudam cientistas a entender derretimento no Ártico com dados inéditos
'Unicórnios do mar' equipados com transmissores coletaram milhares de observações em regiões remotas do leste da Groenlândia
De 2017 a 2020, seis narvais navegaram por regiões remotas do leste da Groenlândia enquanto pesquisadores coletavam dados sobre temperatura e salinidade do mar para estudar o impacto da água atlântica quente no derretimento das geleiras no Ártico.
Durante três anos, de 2017 a 2020, cientistas realizaram um estudo inovador para entender as mudanças que ocorrem sob o gelo do Ártico, utilizando narvais equipados com transmissores via satélite. Conhecidos como os "unicórnios do mar" devido ao seu longo e espiralado dente, esses cetáceos foram monitorados enquanto navegavam por regiões remotas do leste da Groenlândia, um território de difícil acesso para pesquisas convencionais.
Ao longo desse período, os seis narvais coletaram mais de 2.000 observações de temperatura e salinidade da água do mar. Esses dados ajudaram os pesquisadores a mapear o caminho da água atlântica quente que penetra nessas regiões, um fenômeno que contribui para o derretimento acelerado das geleiras e que afeta sistemas meteorológicos globais cruciais.
Segundo Mads Peter Heide-Jorgensen, professor do Instituto de Recursos Naturais da Groenlândia e primeiro autor do artigo publicado na revista Science Advances em quarta-feira (26), foi usada "uma técnica completamente nova". Tradicionalmente, medições oceanográficas eram feitas por tripulações em navios, que coletavam manualmente amostras da coluna d’água para analisar a salinidade. A monitorização eletrônica, disponível mais recentemente, limita-se ao verão, quando as águas estão livres de gelo, justamente porque há poucos quebra-gelos e seus custos são proibitivos.
Esse estudo mostra como a combinação de tecnologia com o comportamento natural da fauna marinha pode ampliar o alcance da ciência em lugares de difícil investigação, abrindo portas para novos métodos de monitoramento ambiental em tempos de alterações climáticas aceleradas.
O que sabemos?
- Narvais foram equipados com transmissores via satélite para coletar dados entre 2017 e 2020.
- Seis narvais exploraram regiões remotas do leste da Groenlândia.
- Foram coletadas mais de 2.000 observações de temperatura e salinidade do mar.
- A água atlântica quente penetra nessas regiões, contribuindo para o derretimento das geleiras.
- O derretimento afeta sistemas meteorológicos globais cruciais.
- Medições tradicionais são feitas por navios, limitadas ao verão devido ao gelo e custo dos quebra-gelos.
O que ainda não foi confirmado?
- Narvais atuando como 'instrumentos vivos' mesmo durante o inverno ártico.
- Data exata de publicação como 26 de abril.
- Uso da palavra 'fiordes' para descrever as áreas exploradas.
- Impacto direto das informações colhidas no clima global
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa



