Ciência

Como o ambiente molda a transformação das galáxias na Via Láctea e além

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Estudo revela que galáxias em transição alteram sua forma conforme o grupo onde estão, diferenciando-se das isoladas

Uma pesquisa da USP mostra que galáxias que deixam de formar estrelas mudam sua estrutura de espiral para elíptica, influenciadas fortemente pelo ambiente onde vivem, especialmente ao integrar grupos galácticos.

Quando as galáxias entram em sua fase de transição, deixam gradualmente de criar novas estrelas e, com isso, mudam sua forma definida de espiral para um formato elíptico mais arredondado. Segundo a astrofísica colombiana Gissel Montaguth, autora principal do estudo publicado em março no The Astrophysical Journal, essa transformação é comparável a uma adolescência cósmica. "Como um adolescente em mutação, [as galáxias] modificam sua estrutura e aparência em decorrência do ambiente em que estão inseridas", explica Montaguth, que realiza pós-doutorado no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.

O estudo destaca que as galáxias que fazem parte de grupos — conjuntos próximos de dezenas a centenas de galáxias — sofrem alterações mais intensas em sua morfologia. Nessas condições, colisões e fusões com outras galáxias podem distorcer sua forma, fazendo com que o disco externo, local típico da formação de estrelas, se torne mais tênue. Ao mesmo tempo, o bojo central, que reúne as estrelas mais antigas, cresce e se torna mais evidente. Essa modificação reforça o processo de transição e a alteração do papel e da aparência da galáxia.

Já galáxias de transição que permanecem isoladas, longe de outras galáxias, mantêm suas características originais por mais tempo, passando por poucas mudanças morfológicas. Isso sugere que o ambiente local — mais especificamente a presença ou ausência de vizinhas próximas — é um fator decisivo na velocidade e na intensidade da transformação da galáxia.

Montaguth ressalta que, embora seja esperado que haja uma ligação entre o formato das galáxias e seu meio ambiente, essa correlação é particularmente forte nas galáxias em transição. De acordo com ela, "as galáxias de transição apresentam uma forte assinatura do ambiente de que fazem parte", diferentemente das galáxias espirais e elípticas que já se encontram em estágios estabilizados de sua existência.

Essa pesquisa amplia a compreensão da evolução das galáxias, mostrando que o ambiente galáctico exerce papel crucial na transformação estrutural e na história de formação estelar desses corpos celestes, oferecendo pistas sobre como nosso próprio Universo pode ter se desenvolvido ao longo dos bilhões de anos.

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O que sabemos?

  • Galáxias de transição mudam da forma espiral para elíptica ao deixarem de formar estrelas.
  • Galáxias em grupos sofrem alterações morfológicas mais intensas, como discos externos mais tênues e bojos centrais maiores.
  • Galáxias isoladas mantêm suas características originais por mais tempo, com poucas mudanças.
  • A correlação entre forma da galáxia e ambiente é mais forte em galáxias de transição do que em espirais e elípticas maduras.

O que ainda não foi confirmado?

  • Informação divulgada apenas pela Revista Pesquisa FAPESP; aguardando outras fontes.

Fontes

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