Pesquisa no IFSC-USP aprisiona íons frios com campos elétricos pela primeira vez no Brasil
Experimento com íons de estrôncio abre caminho para avanços em computação quântica nacional
Um grupo de pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos da USP conseguiu reter átomos eletricamente carregados usando apenas campos elétricos oscilantes, uma técnica inédita no país que pode impulsionar o desenvolvimento da computação quântica brasileira.
Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP) alcançaram um marco inédito no Brasil ao aprisionar íons frios utilizando somente campos elétricos para mantê-los confinados em uma região muito pequena do espaço. Segundo José Tadeu Arantes, repórter da Agência FAPESP, o experimento foi realizado com íons de estrôncio e representa um passo inicial para o desenvolvimento de plataformas essenciais à computação quântica no país.
O estudo foi liderado por Amilson Rogelso Fritsch, Jovem Pesquisador apoiado pela FAPESP no programa QuTIa (Quantum Technologies Initiative). Os resultados foram obtidos somente 18 meses após o início do projeto, mostrando rapidez e eficácia no avanço da pesquisa. De acordo com Fritsch, “como os íons possuem carga elétrica, eles podem ser puxados ou empurrados por campos elétricos. Nossa armadilha gera forças capazes de impedir que eles escapem em qualquer direção.”
O sistema utilizado nesta experiência é chamado “Armadilha de Paul”, nome dado em homenagem ao físico alemão Wolfgang Paul (1913-1993), que desenvolveu a técnica na década de 1950. Essa armadilha usa um campo elétrico oscilante a aproximadamente 18 megahertz (18 milhões de vezes por segundo), capaz de impedir que os íons acompanhem as rápidas mudanças do campo, mantendo-os alinhados no eixo central da armadilha.
Wolfgang Paul recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1989 justamente por essa contribuição, cuja aplicabilidade se estende até os dias atuais, especialmente na computação quântica e experimentos de controle de partículas carregadas. Segundo a Revista Galileu, que reportou originalmente o feito, essa conquista da USP posiciona o Brasil mais próximo da fronteira de pesquisa internacional neste campo tecnológico.
Afinal, o confinamento preciso de íons é fundamental para a construção de dispositivos quânticos que prometem revolucionar o processamento de informações, oferecendo potencial para cálculos complexos inacessíveis aos computadores tradicionais. O avanço traz pela equipe do IFSC-USP indica que o país começa a se inserir nesse cenário tecnológico, capaz de gerar impactos significativos em ciência e indústria.
O que sabemos?
- Equipe do IFSC-USP aprisionou íons de estrôncio em armadilha elétrica pela primeira vez no Brasil.
- Técnica chamada 'Armadilha de Paul' utiliza campo elétrico oscilante a cerca de 18 MHz para confinar partículas.
- Experimento liderado por Amilson Rogelso Fritsch, Jovem Pesquisador apoiado pela FAPESP no programa QuTIa.
- Resultado alcançado em 18 meses desde o início do projeto.
O que ainda não foi confirmado?
- Informação divulgada apenas por Revista Galileu; aguardando outras fontes.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada
