Como fósseis de abelhas revelam a história evolutiva dos polinizadores e alertam para seus riscos atuais
Estudo pioneiro analisa detalhes anatômicos de abelhas fossilizadas para entender adaptações de milhões de anos e ameaças climáticas
Pesquisas ao longo de 15 anos em mais de 30 países usam fósseis preservados em âmbar para desvendar a evolução das abelhas e a importância da diversidade morfológica para o equilíbrio dos ecossistemas.
Uma equipe de biólogos vem se dedicando há 15 anos a pesquisas e expedições em mais de 30 países para estudar a história evolutiva dos polinizadores, especialmente das abelhas. Segundo o levantamento da Revista Pesquisa FAPESP, esses insetos são verdadeiros guardiões da biodiversidade global, e mais do que a simples contagem de espécies sobreviventes, entender a diversidade morfológica – ou seja, as características físicas visíveis – é fundamental para revelar a complexa trajetória desses animais, sua adaptação e o impacto das mudanças ambientais contemporâneas.
As pesquisas partem do princípio da fenômica, campo que estuda o fenótipo com a mesma precisão com que a genômica analisa o DNA. Dessa forma, ao investigar esqueletos fossilizados de abelhas, os cientistas conseguem identificar traços ancestrais não detectáveis apenas pelo material genético. Um dos destaques do estudo envolve a análise da abelha Succinapis micheneri, fêmea fossilizada e preservada em âmbar, pertencente à tribo Melikertini, extinta e restrita ao Hemisfério Norte.
Imagens extraídas do artigo publicado no Bulletin of the American Museum of Natural History (2026) exibem detalhes anatômicos milimétricos do fóssil, como a visão lateral completa do inseto e partes específicas de seu esqueleto. Segundo a pesquisa feita por Lepeco e Almeida, esses dados revelam relações evolutivas diretas com abelhas-sem-ferrão atuais e apontam para adaptações desenvolvidas ao longo de milhões de anos em ambientes diversos.
Entender essa jornada esculpida nos esqueletos permite avaliar os efeitos da destruição gradual da vegetação e fauna originais em áreas naturais. Não bastaria contabilizar apenas as espécies que ainda sobrevivem, porque, como mostram os resultados dos estudos, a perda vai muito além dela, atingindo a diversidade funcional e morfológica essencial para o equilíbrio dos ecossistemas e a manutenção dos serviços que os polinizadores prestam, como a polinização de plantas.
Diante do avanço das mudanças climáticas e da intensificação da destruição de habitats naturais, os dados acumulados oferecem um alerta importante. Conhecer o passado evolutivo das abelhas, seus padrões de adaptação e resiliência, ajuda a projetar o futuro desses insetos que são fundamentais à vida terrestre. Segundo os pesquisadores, essa abordagem multidisciplinar ainda não tinha sido explorada na extensão e profundidade apresentadas agora, e destaca a importância da fenômica para a conservação da biodiversidade.
O que sabemos?
- Pesquisas de 15 anos em mais de 30 países investigam a evolução de polinizadores.
- Estudo usa fenômica para analisar características físicas de abelhas fósseis preservadas em âmbar.
- Succinapis micheneri, abelha da tribo extinta Melikertini, foi um dos fósseis analisados.
- O estudo relaciona as abelhas fósseis às abelhas-sem-ferrão atuais e suas adaptações ao longo de milhões de anos.
O que ainda não foi confirmado?
- Informação disponível apenas na Revista Pesquisa FAPESP; outras fontes ainda não confirmaram.
Fontes
- Revista Pesquisa FAPESP fonte oficial
