Estudo revela que El Niño está 40% mais intenso do que na era pré-industrial
Pesquisadores da Universidade de Michigan constataram aumento significativo da força do fenômeno nos últimos 40 anos por meio da análise de corais nas Ilhas Galápagos
Um novo estudo publicado na revista Science aponta que os eventos de El Niño ficaram quase 40% mais fortes nas últimas quatro décadas em comparação com o século XIX, quando as emissões humanas de gases de efeito estufa começaram a impactar o clima global. A pesquisa alerta para possíveis consequências na América Latina e destaca a relação entre aquecimento global e a intensidade do fenômeno.
Um estudo recente da Universidade de Michigan, publicado na última quinta-feira (27) na revista científica Science, apontou que os eventos de El Niño tornaram-se cerca de 40% mais intensos nos últimos 40 anos em comparação ao período pré-industrial. A análise foi feita a partir da coleta de amostras em 13 colônias de corais localizadas nas Ilhas Galápagos, um ponto chave para o monitoramento do fenômeno.
Segundo a professora Julia Cole, chefe do Departamento de Ciências da Terra e do Meio Ambiente da Universidade de Miami e autora principal do estudo, não há registros em períodos anteriores ao século XIX com a mesma intensidade do El Niño atual. Ela explica que "a intensidade do El Niño muda em paralelo com o aquecimento da temperatura global", indicando que a elevação da temperatura provavelmente influencia essa maior força do fenômeno.
O El Niño é um fenômeno climático causado pelo enfraquecimento dos ventos alísios – ventos constantes e úmidos que normalmente sopram de leste para oeste na região equatorial do Pacífico. Esses ventos deslocam as águas quentes para longe da costa da América do Sul, em direção à Austrália e Indonésia. Quando os ventos enfraquecem, a água quente retorna para o leste, modificando a temperatura da superfície do oceano e desencadeando o episódio de El Niño, que pode trazer secas, chuvas intensas e outros impactos climáticos em diversas regiões, especialmente na América Latina.
A pesquisa usou corais modernos e antigos para reconstruir os padrões históricos do fenômeno, o que permitiu comparar diretamente a força dos eventos dos últimos 40 anos com aqueles ocorridos em meados do século XIX, aproximadamente 1850 – período que os climatologistas consideram como o início da influência humana significativa no clima terrestre, devido à queima de combustíveis fósseis e emissão de gases do efeito estufa.
Ainda não foi confirmada oficialmente a previsão da ocorrência do próximo El Niño, mas a CNN Brasil informou que a chance de ele ser "muito forte" em 2024 é de 81%, segundo uma agência americana. No entanto, outras fontes ainda não divulgaram essa informação, e o tema segue monitorado com cautela pelos especialistas.
O aumento da intensidade do El Niño tem grande importância para a América Latina, que pode enfrentar consequências severas, como secas prolongadas em algumas áreas e enchentes em outras, além de impactos na agricultura e na economia. Essa intensificação do fenômeno reforça a urgência em compreender os efeitos do aquecimento global e em buscar estratégias para mitigar suas consequências.
O que sabemos?
- El Niño está 40% mais intenso nos últimos 40 anos comparado à era pré-industrial.
- A pesquisa foi publicada em 27 de junho na revista Science.
- Análise foi baseada em corais das Ilhas Galápagos.
- Chance de um El Niño "muito forte" em 2024 é de 81%, segundo CNN Brasil, mas ainda não confirmado oficialmente.
Fontes
- CNN Brasil imprensa



