Ciência

Como funcionam as pesquisas eleitorais e por que confiar nelas mesmo com poucas entrevistas

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Professor da USP explica a matemática e a metodologia por trás das sondagens de intenção de voto

Professor Cláudio Possani explicando pesquisas eleitorais
Imagem: Jornal da USP

Com apenas cerca de 2 mil entrevistados, pesquisas eleitorais conseguem apresentar dados confiáveis sobre a intenção de voto. Entenda o fundamento matemático e a técnica usada para representar milhões de eleitores de forma precisa.

Pesquisas eleitorais despertam dúvidas na população, principalmente por questionarem como algumas podem afirmar a intenção de voto de candidatos com base em um número relativamente pequeno de entrevistas. Segundo o professor Cláudio Possani, do Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação da USP, existe uma base matemática que sustenta a confiabilidade desses dados.

Imagine que seria possível sortear, de forma totalmente aleatória e equiprovável, 2 mil ou 3 mil eleitores dentre os 156 milhões aptos a votar no próximo pleito e perguntá-los em quem votariam para presidente. Nessa situação ideal, seria matematicamente possível afirmar, com 95% de certeza e uma margem de erro de aproximadamente 2%, a porcentagem de intenção de votos para cada candidato. "Não seria uma certeza absoluta, mas um dado importante e informativo", explica Possani, ressaltando que essa segurança estatística é o que dá credibilidade às pesquisas.

Na prática, contudo, realizar um sorteio aleatório completo é inviável devido à dificuldade de acesso rápido e aos custos envolvidos para alcançar essa quantidade de pessoas em todo o país. Para contornar esse desafio, os institutos adotam amostras que tentam se aproximar ao máximo da ideal, selecionando os entrevistados com base em características do eleitorado conhecidas como preditores de voto, como sexo, idade, escolaridade e renda. Por exemplo, se 52% dos eleitores são mulheres, a amostra tentará manter essa proporção, garantindo que o grupo de entrevistados reflita com fidelidade o perfil do universo pesquisado.

Essa técnica, chamada de amostragem por cotas, é uma forma de simular o sorteio aleatório, com o objetivo de evitar que a composição da amostra distorça os resultados. Além dos já citados, podem ser considerados outros preditores relevantes, como local de moradia e religião, aumentando a representatividade das respostas coletadas.

O professor destaca ainda a interdisciplinaridade envolvida na elaboração das pesquisas eleitorais, onde métodos matemáticos, estatísticos e sociais se combinam para oferecer dados confiáveis em meio a uma realidade complexa e dinâmica. "É possível considerar com razoável confiança a porcentagem de intenção de voto, mesmo com uma amostra reduzida, porque o processo de seleção é rigoroso e fundamentado em evidências teóricas", conclui Possani.

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O que sabemos?

  • Pesquisas eleitorais usam amostras de cerca de 2 mil a 3 mil pessoas para estimar intenções de voto.
  • Com sorteio aleatório ideal, é possível estimar intenções com 95% de confiança e 2% de margem de erro.
  • Sorteio aleatório completo é inviável na prática por custo e acesso aos eleitores.
  • Institutos usam amostragem por cotas que refletem preditores de voto como sexo, idade, escolaridade e renda.

O que ainda não foi confirmado?

  • Informação divulgada apenas por Jornal da USP; aguardando outras fontes.

Fontes

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