Ciência

Chimpanzés na Guiné-Bissau exibem comportamento raro de arremesso de pedras

Em apuração ?

Pesquisadores registram uso repetido de pedras com vocalizações e percussão em árvores no Parque Nacional de Boé

Árvore com cicatrizes e pedras em sua base no Parque Nacional de Boé
Imagem: Revista Galileu

Estudo revela que chimpanzés-do-oeste machos adultos no Parque Nacional de Boé, Guiné-Bissau, praticam arremesso cumulativo de pedras acompanhado por sinais sonoros complexos, indicando um possível comportamento cultural e comunicação sofisticada entre os primatas.

Ao explorar a savana e os bosques do Parque Nacional de Boé, na Guiné-Bissau, pesquisadores encontraram uma árvore marcada por cicatrizes retorcidas e um amontoado de pedras em sua base, vestígios evidentes de um comportamento incomum dos chimpanzés-do-oeste. Segundo Robyn Nakano e Ammie Kalan, ao retornar de uma expedição de campo, o grupo de chimpanzés selvagens, principalmente machos adultos, realiza repetidos arremessos de pedras contra árvores específicas, acompanhado de vocalizações conhecidas como "pant-hoot" — sons altos e de longo alcance usados para comunicação.

Gravações em vídeo coletadas durante a investigação mostram que esses chimpanzés não apenas arremessam pedras, mas também efetivamente retornam ao local para repetir a ação, configurando um comportamento cumulativo. Além disso, em algumas ocasiões eles golpeiam vigorosamente as árvores com as mãos e pés, num gesto chamado de "percussão em raízes tabulares". Essa sequência sugere uma combinação complexa de linguagem corporal e sonora, que pode ser interpretada como uma forma de comunicação entre os animais.

O interesse dos cientistas reside justamente no potencial significado cultural desse comportamento, cuja repetição e especificidade indicam que não se trata de uma ação aleatória ou puramente instintiva. Conforme explicam Nakano e Kalan, essa prática pode representar uma modificação evolutiva de exibições comuns entre chimpanzés machos, refletindo talvez um aspecto crucial para entendermos o surgimento da comunicação complexa e o uso de ferramentas de pedra em nossos ancestrais.

A pesquisa está inserida no contexto maior da evolução humana, dado que chimpanzés são nossos parentes mais próximos e muitas de suas ações podem oferecer pistas valiosas sobre como desenvolvemos capacidades cognitivas avançadas e formas iniciais de linguagem e tecnologia.

Embora a descoberta tenha sido divulgada inicialmente pela Revista Galileu, Nakano e Kalan ressaltam que o estudo recém-concluído tem como foco a análise detalhada do contexto social e ecológico do arremesso cumulativo de pedras, buscando decifrar qual mensagem ou função esses chimpanzés pretendem transmitir.

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O que sabemos?

  • Chimpanzés-do-oeste no Parque Nacional de Boé arremessam pedras contra árvores específicas repetidamente.
  • O comportamento é acompanhado pelo som alto "pant-hoot" e percussão com mãos e pés nas árvores.
  • Os pesquisadores acreditam que o comportamento possa ter um significado cultural e comunicação complexa.
  • A pesquisa foi feita por Robyn Nakano e Ammie Kalan e publicada no The Conversation em 28/08/2026.

O que ainda não foi confirmado?

  • Informação divulgada apenas pela Revista Galileu, aguardando confirmação por outras fontes.

Fontes

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