Startup em Cotia encurta de semanas para horas produção de proteínas para biotecnologia
Biolinker reduz drasticamente o tempo de purificação de macromoléculas usadas em medicina e indústria
Com sede em Cotia, a Biolinker fornece proteínas complexas, como fatores de crescimento, para pesquisa e produção nacional com preços significativamente mais acessíveis que os importados.
Uma inovação na produção de proteínas para uso médico e industrial promete transformar a biotecnologia no Brasil. A startup Biolinker, instalada em um parque industrial de Cotia, na Região Metropolitana de São Paulo, desenvolveu um kit capaz de reduzir de semanas para poucas horas o tempo necessário para sintetizar macromoléculas essenciais, como enzimas, anticorpos e vacinas animais. Segundo a fundadora da empresa, a bioquímica e médica-veterinária Mona Oliveira, já foram produzidos cerca de 250 tipos diferentes de proteínas para grupos de pesquisa de universidades e empresas de diversos estados brasileiros.
O processo é detalhado pela biomédica Thainá Rodrigues de Almeida, que exemplifica a complexidade do trabalho ao analisar uma lâmina de gel com marcas de proteínas purificadas. “As alturas das marcas são diferentes, talvez a purificação não tenha sido perfeita”, comenta desconfiada. A médica-veterinária Iris Todeschini, mais experiente na área, explica que essas variações podem ocorrer por oligomerização, um fenômeno pelo qual estruturas menores se unem para formar estruturas maiores, comparando-as a vagões de trem. Esse tipo de controle e avaliação é fundamental para garantir a qualidade das moléculas produzidas.
Entre os produtos que mais orgulham a equipe da Biolinker estão os fatores de crescimento, macromoléculas que atuam no estímulo do desenvolvimento celular. Essas proteínas, bastante complexas, já estão sendo utilizadas por produtores nacionais de carne cultivada em laboratório como substitutos do tradicional soro fetal bovino, uma alternativa considerada mais ética e sustentável. Produzir em escala nacional também traz vantagem de custo; segundo a Revista Pesquisa FAPESP, o fator de crescimento epitelial (EGF) importado para pesquisa custa entre R$ 3 mil e R$ 8 mil por micrograma, enquanto a versão para uso médico, que é mais purificada, pode custar de R$ 10 mil a R$ 30 mil por micrograma. O fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), usado para estimular a formação de vasos sanguíneos, chega a custar até R$ 80 mil por micrograma no mercado internacional.
Esses valores mostram a importância de uma produção nacional que não apenas torna a tecnologia mais acessível, mas também estimula o desenvolvimento de um mercado interno mais forte e autossuficiente em biotecnologia. A capacidade de sintetizar rapidamente proteínas complexas pode expandir as possibilidades de pesquisas e aplicações em saúde, agricultura e indústrias químicas, além de impulsionar o setor de tecnologia em geral no Brasil.
O trabalho da Biolinker exemplifica como investimentos em biotecnologia e inovação podem oferecer soluções eficientes para problemas complexos, ao mesmo tempo em que colaboram para a redução do custo e do tempo de acesso a importantes insumos biológicos. Mona Oliveira e sua equipe reforçam o potencial para uma biotecnologia mais sustentável e acessível, especialmente em setores emergentes, como a carne de laboratório e tratamentos médicos avançados.
O que sabemos?
- Biolinker é uma startup de biotecnologia sediada em Cotia, SP.
- A empresa desenvolveu um kit que reduz de semanas para horas o tempo de síntese de macromoléculas.
- Já foram produzidos cerca de 250 tipos de proteínas, incluindo fatores de crescimento para carne cultivada em laboratório.
- Fatores de crescimento importados podem custar de R$ 3 mil a R$ 80 mil por micrograma, dependendo do tipo e purificação.
O que ainda não foi confirmado?
- Informação divulgada apenas por Revista Pesquisa FAPESP; aguardando outras fontes.
Fontes
- Revista Pesquisa FAPESP fonte oficial
