Ciência

Por que é tão difícil 'fazer cocô' no espaço?

Em apuração ?

Entenda como a microgravidade afeta o intestino dos astronautas e os riscos para a saúde em voos espaciais

Astronauta no espaço em ambiente de microgravidade
Imagem: Revista Galileu

Cientistas da NASA e da Universidade de Copenhague descobriram que o ambiente de microgravidade provoca mudanças no intestino dos astronautas, dificultando a evacuação e causando possíveis problemas de saúde, como alterações de humor e danos renais.

Para muitas pessoas, evacuar as fezes é uma atividade corriqueira. No entanto, essa tarefa pode ser desafiadora em situações especiais, como o voo espacial. Segundo cientistas da NASA, agência espacial americana, e da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, a microgravidade influencia diretamente o funcionamento do intestino dos astronautas, dificultando a evacuação e podendo levar a problemas de saúde importantes.

Os pesquisadores analisaram 52 amostras sanguíneas de tripulantes espaciais e constataram que muitas alterações intestinais ocorrem logo após a entrada em ambiente de microgravidade. A pesquisa foi publicada em 29 de junho na revista científica Nature Communications. Para se ter uma ideia da gravidade da constipação no espaço, na Terra ficar sem ir ao banheiro por dois ou três dias já é um alerta; imaginemos isso em órbita, onde o desconforto e riscos aumentam.

Entre os possíveis impactos da constipação no espaço, estão não apenas o desconforto, mas também alterações de humor e até danos renais, conforme alertam os especialistas. A dificuldade de evacuar lá fora, no entanto, causava um mistério antigo: durante décadas, foi sabido que ir ao espaço representava enfrentar problemas para fazer o “número 2”, mas poucos sabiam por quê.

Embora a primeira etapa da digestão, que envolve o transporte dos alimentos pelo esôfago até o estômago, seja pouco afetada pela ausência da gravidade terrestre — isto porque os músculos do esôfago empurram o bolo alimentar independentemente da força gravitacional — esse não é o caso das fases seguintes. No estômago, na ausência da gravidade, o bolo alimentar flutua livremente, já que os fluidos corporais se redistribuem de forma diferente no corpo dos astronautas, o que atrapalha o processo digestivo e, consequentemente, a evacuação.

Além disso, os astronautas geralmente consomem alimentos desidratados e sofrem outros impactos da vida no espaço, tanto físicos quanto biológicos. A constipação é, portanto, um problema comum nessas condições extremas. Segundo a Revista Galileu, que abordou essa questão recentemente, entender melhor esses desafios é fundamental para a realização de missões espaciais mais longas e saudáveis.

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O que sabemos?

  • Mudanças no intestino ocorrem assim que astronautas entram em microgravidade
  • Constipação no espaço pode levar a alterações de humor e danos renais
  • Pesquisa analisou 52 amostras sanguíneas de astronautas
  • Primeira etapa da digestão não é muito afetada pela gravidade zero

O que ainda não foi confirmado?

  • Informação divulgada apenas pela Revista Galileu; outras fontes aguardadas

Fontes

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