Ciência

Ameaça crescente aos corais-de-fogo brasileiros impulsiona debates sobre conservação

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Novas classificações oficiais evidenciam estado crítico das espécies endêmicas diante do aquecimento dos oceanos e poluição

Recifes brasileiros registram mortalidade alarmante de corais-de-fogo; cientistas alertam para risco iminente de extinção e buscam estratégias de preservação em ambientes artificiais.

Os recifes de coral do Brasil, únicos no Atlântico Sul, enfrentam uma grave crise ambiental causada pela combinação do aquecimento dos oceanos, poluição e degradação dos habitats. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e o ICMBio, a recente atualização da Lista Nacional de Espécies Aquáticas Ameaçadas de Extinção, publicada em abril de 2024, elevou o nível de risco das quatro espécies de coral-de-fogo do gênero Millepora que ocorrem no país. São elas: Millepora braziliensis, Millepora laboreli, Millepora alcicornis e Millepora nitida, que juntas compõem uma diversidade singular, com três das espécies sendo exclusivas da costa brasileira.

De acordo com o professor Miguel Mies, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) e coordenador do Projeto Coral Vivo, a situação é alarmante especialmente para Millepora braziliensis, descrita como uma espécie de “distribuição extremamente restrita”. Ele alerta que "um único evento de branqueamento em massa pode ser suficiente para extinguir a espécie", o que demonstra o quão vulneráveis estão os recifes diante das ondas de calor marinhas e dos impactos ambientais locais.

Entre as mudanças de classificação, Millepora braziliensis e Millepora laboreli foram elevadas à categoria “criticamente em perigo”, que antecede a extinção na natureza, um indicativo claro do declínio acelerado dessas espécies. Millepora alcicornis, que também ocorre no Caribe, foi reclassificada como “em perigo” após ter sofrido uma mortalidade superior a 90% durante os últimos eventos de branqueamento. Já Millepora nitida foi considerada “quase ameaçada”, reforçando que nenhuma delas está fora de risco.

Especialistas atribuem essa piora à combinação dos efeitos das ondas de calor marinhas — fenômenos que elevam a temperatura das águas e provocam o branqueamento, uma condição em que os corais perdem suas algas simbióticas e ficam vulneráveis — junto com a poluição constante e a degradação ambiental dos ecossistemas marinhos. Esses fatores têm provocado a diminuição da biodiversidade nos recifes, que se estendem por aproximadamente 3 mil quilômetros ao longo da costa brasileira e são vitais para a saúde dos oceanos e para o equilíbrio ambiental da região.

O reconhecimento oficial do agravamento da situação dos corais-de-fogo brasileiros reforça a necessidade urgente de implementar estratégias eficazes para sua conservação. Conforme Miguel Mies, a busca por alternativas em ambientes artificiais, como o cultivo controlado ou a reabilitação de recifes, ganha espaço como caminho para preservar essas espécies tão ameaçadas. O chamado dos cientistas é claro: proteger esses ecossistemas é essencial não apenas para os corais, mas para toda a cadeia marinha e para as comunidades que dependem desses recursos naturais.

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O que sabemos?

  • Os recifes de coral brasileiros sofrem com aquecimento marinho e poluição
  • Ministério do Meio Ambiente e ICMBio reclassificaram espécies de Millepora como mais ameaçadas
  • Millepora braziliensis e Millepora laboreli são classificadas como criticamente em perigo
  • Eventos recentes causaram mortalidade superior a 90% em Millepora alcicornis

O que ainda não foi confirmado?

  • Informação divulgada apenas pela Revista Pesquisa FAPESP; aguardando outras fontes

Fontes

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