Brasil

Studios ganham espaço nas grandes cidades brasileiras, mas ainda enfrentam resistência

Em apuração ?

De quitinetes de 29 m² a apartamentos modernos, tipo conquista mercado apesar de críticas

Apartamento tipo studio em São Paulo
Imagem: UOL Notícias

Os studios, apartamentos compactos que tiveram início em São Paulo nos anos 1950, atualmente representam cerca de um terço dos lançamentos imobiliários na capital paulista, mas enfrentam resistência popular.

Os apartamentos do tipo studio, também conhecidos como quitinetes ou studios, estão cada vez mais presentes nos grandes centros urbanos brasileiros. Apesar de sua popularidade crescente, essas unidades compactas ainda dividem opiniões entre especialistas em urbanismo e a população em geral. Segundo o UOL Notícias, esses imóveis representam hoje cerca de um terço dos lançamentos imobiliários em São Paulo, atingindo quase 44 mil unidades previstas para 2025, uma evolução significativa desde 2016, quando foram lançadas apenas 2.900 unidades desse tipo.

O conceito do studio não é novidade no mercado imobiliário. Como relata Raul Lores em seu livro "São Paulo nas Alturas", essa tipologia de moradia cresceu significativamente já na década de 1940. Entre 1951 e 1952, o Banco Nacional Imobiliário lançou mais de 1.500 quitinetes na capital paulista, ampliando o acesso à moradia compacta. Dois anos depois, em 1954, o edifício Montreal, projetado por Oscar Niemeyer, chamou atenção ao ser o primeiro arranha-céu com apartamentos deste tipo em São Paulo, com unidades que começavam a partir de 29 metros quadrados.

Essa tendência de imóveis pequenos é global. Em Paris, por exemplo, as "chambres de bonne", com cerca de 10 metros quadrados, originalmente alojamentos para empregados domésticos, atualmente atendem estudantes e jovens trabalhadores que buscam alternativas acessíveis para morar na cidade. Nos anos 2010, Nova York flexibilizou regras de zoneamento para liberar unidades a partir de 20 metros quadrados, como resposta à crise habitacional da metrópole.

De acordo com especialistas em urbanismo, como o urbanista e editor-chefe da plataforma digital sobre cidades Caos Planejado, os studios representam uma solução para a crescente demanda por moradias em espaços urbanos caros e congestionados. No entanto, mesmo com essa expansão, a opinião pública nem sempre recebe bem esses imóveis, que costumam ser criticados por seu tamanho reduzido e ausência de espaços de convivência mais amplos.

O crescimento expressivo das unidades compactas em São Paulo se destaca especialmente ao comparar os números de 2016 e 2025, confirmando uma mudança no perfil dos lançamentos imobiliários. Apesar disso, o debate sobre como esses espaços atendem às necessidades reais dos moradores continua em aberto, já que as construções são frequentemente demonizadas por alguns setores da sociedade. O UOL Notícias é atualmente a única fonte que divulgou esses dados, e outros veículos ainda não confirmaram as informações.

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O que sabemos?

  • Studios são apartamentos compactos que cresceram no mercado desde os anos 1940
  • Em São Paulo, o edifício Montreal de Oscar Niemeyer (1954) foi pioneiro com quitinetes a partir de 29 m²
  • Em 2025, cerca de um terço dos lançamentos imobiliários na capital paulista são de imóveis desse tipo, totalizando quase 44 mil unidades
  • Os studios enfrentam resistência popular apesar da popularização nas cidades brasileiras

Fontes

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