Brasil

O que mudou no trânsito e na rotina pós-pandemia? Reflexões sobre o 'novo normal' que não veio

Em apuração ?

A experiência do isolamento social em 2020 trouxe expectativas de transformações para o trabalho, mobilidade e qualidade de vida que ainda não se confirmaram

Rua movimentada em São Paulo com trânsito intenso
Imagem: Folha de S.Paulo

Relembrar o início da pandemia mostra uma esperança de que o #ficaemcasa poderia gerar impactos duradouros, como menos trânsito e mais trabalho remoto, mas os dados recentes indicam que o trânsito nas cidades voltou a ser caótico, longe daquele cenário idealizado.

O ano de 2020, marcado pela chegada do coronavírus e pela ausência de vacinas, mudou profundamente o modo de vida em todo o mundo. O isolamento social foi a medida central para frear a disseminação da doença e, apesar das grandes perdas, alguns se surpreenderam com pequenos gestos de solidariedade e a sensação de que um “novo normal” estava surgindo. Segundo um artigo da Folha de S.Paulo, esse novo cenário prometia modificar o trabalho e a mobilidade das cidades de forma positiva, com possibilidade de ampliação do trabalho remoto e uma redução significativa do trânsito.

Naquela época, diversos relatos chegaram a afirmar que as avenidas das metrópoles brasileiras estavam praticamente vazias, dando a impressão de cidades em clima de feriado prolongado. A expectativa era que esse padrão pudesse se perpetuar, com menos carros nas ruas e uma melhora visível na qualidade de vida urbana. Todavia, a realidade dos últimos anos mostra que, ao contrário, o trânsito retomou números preocupantes, com filas e congestionamentos que, segundo o texto da Folha, voltaram a atingir os quatro dígitos em São Paulo – uma cifra que já foi recorde negativo antes mesmo da pandemia.

Além do impacto no trânsito, havia também esperanças relacionadas ao trabalho. A crença era de que o home office continuaria sendo uma prática comum e que isso ajudaria a reduzir o fluxo pelas cidades, além de facilitar uma vida mais flexível para os trabalhadores. No entanto, dados atuais indicam que as demandas presencias ainda predominam em muitos setores, refletindo um retorno gradual e parcial às atividades tradicionais.

O artigo também relembra o lado humano do período mais rígido do isolamento social, como a iniciativa da prefeitura carioca de criar um programa em que um repórter lia poesias por telefone para moradores do Rio de Janeiro. Pequenos gestos que tentaram suavizar o impacto do isolamento e promover alguma conexão social, mesmo à distância, em tempos de sofrimento e incerteza.

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Ao olhar para o presente, muitos se perguntam se o movimento #ficaemcasa poderia, de fato, voltar a ser adotado como forma de cultura urbana, visto que os benefícios esperados na pandemia, como menos trânsito e trabalho remoto ampliado, aparecem ainda como ideias e desejos pendentes. A Folha destaca, inclusive com um toque de ironia, uma expectativa frustrada: “Só mesmo um masoquista para querer voltar a 2020” – um período doloroso, mas carregado de esperanças, agora em parte desfeitas.

Esses pontos mostram que a transformação social e urbana, embora desejada, enfrenta desafios complexos para se concretizar, especialmente diante das pressões econômicas e culturais que empurram as pessoas para rotinas anteriores. O que parecia um ensinamento do período do isolamento social, portanto, ainda está longe de ser um fato consolidado no cotidiano das cidades brasileiras.

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O que sabemos?

  • Nos primeiros meses da pandemia de Covid-19, o isolamento social gerou uma redução significativa do trânsito nas cidades.
  • Havia uma expectativa de que o trabalho remoto se tornasse mais comum após a pandemia, ajudando a manter esse efeito.
  • Em São Paulo, o trânsito voltou a níveis preocupantes, com filas de carros nos quatro dígitos, cerca de recordes ruins antes da pandemia.
  • Gestos de solidariedade e iniciativas culturais marcaram o período de isolamento, mas o retorno ao antigo normal tem sido a regra.

Fontes

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