Fóruns ambientais globais destacam a urgência integrada de proteger o planeta
Negociações reforçam a ligação entre combate à degradação, biodiversidade e clima em encontros consecutivos
Três grandes conferências ambientais neste ano mostram que não é possível tratar as crises ambientais de forma isolada. Especialistas ressaltam a necessidade de ações conjuntas para fortalecer a resiliência dos ecossistemas frente às mudanças climáticas.
Este ano, as principais negociações ambientais multilaterais vêm reforçando a compreensão de que a crise ecológica atual exige uma abordagem integrada. A COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, realizada em agosto na Mongólia, abriu espaço para discutir soluções para a degradação do solo e a seca. Ainda neste ano, em outubro, ocorrerá a COP17 da Convenção sobre Diversidade Biológica, na Armênia, e, antes do final, em novembro, a COP31 do Clima na Turquia, com o objetivo de acelerar ações contra o aquecimento global. Segundo fontes, a proximidade dessas conferências representa uma oportunidade importante para alinhar estratégias e reconhecer que a proteção do clima, a preservação da biodiversidade e o combate à degradação da terra estão intrinsecamente conectados.
A relação entre esses temas ganhou ainda mais evidência diante do impacto de um fenômeno natural conhecido como El Niño, que deve se apresentar com alta intensidade neste ciclo. Apesar de ser uma ocorrência natural, seus efeitos acontecem sobre condições climáticas já alteradas por fatores humanos, como altas emissões de gases de efeito estufa, e por investimentos insuficientes em adaptação. Secas extremas, eventos climáticos severos e a pressão sobre recursos hídricos e biodiversidade diminuem a capacidade de resposta de ecossistemas e populações vulneráveis, agravando ainda mais a crise ambiental.
Segundo informações divulgadas até o momento, a COP17 da Convenção sobre Desertificação trouxe à tona uma meta ambiciosa do Brasil de recuperar 16,3 milhões de hectares de áreas degradadas até 2030, uma estratégia que visa não só combater a degradação do solo, mas também fortalecer ações de adaptação às mudanças climáticas. Ainda segundo fontes, apesar de o país estar atrasado na implementação dessa meta, ela continua sendo prioridade, dada a urgência de ampliar ações de restauração e conservação do solo. Essa iniciativa posiciona o Brasil entre os países com maior área compromissada com recuperação de ambientes degradados na agenda da UNCCD, a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação.
Outro ponto destacado foi a consolidação de terra e água como eixos centrais na interface entre clima, biodiversidade e bem-estar humano. Isso reforça a necessidade de ampliar investimentos em projetos de restauração de bacias hidrográficas, especialmente na Caatinga e no Cerrado, além de reforçar práticas agrícolas resilientes. Essas ações são vistas como soluções integradas que beneficiam tanto o clima quanto a biodiversidade e o desenvolvimento sustentável, promovendo a segurança hídrica e a recuperação de paisagens produtivas. A conferência também ressaltou que investir na recuperação de terras não é apenas um gasto, mas uma estratégia para fortalecer a resiliência dos ecossistemas e das comunidades, impulsionando meios de subsistência e prosperidade em áreas vulneráveis.
Por ora, o Brasil ainda aguarda confirmações oficiais sobre alguns detalhes dessas metas e estratégias, mas o entendimento geral é de que o momento exige uma ação coordenada global para enfrentar os desafios ambientais. Ainda não há um pronunciamento oficial completo a respeito da posição do país, mas a convergência dessas agendas reforça a compreensão de que um planeta mais quente, mais seco e mais degradado só poderá ser enfrentado com esforços integrados e sustentados. Assim, a expectativa é que as próximas semanas tragam avanços concretos na implementação dessas negociações, que podem definir o rumo do combate às crises ambientais no cenário internacional.
O que sabemos?
- COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação ocorreu em agosto na Mongólia.
- Em outubro, será a vez da COP17 da Convenção sobre Diversidade Biológica, na Armênia.
- A COP31 do Clima acontecerá na Turquia, buscando acelerar ações contra o aquecimento global.
- Brasil assumiu meta de recuperar 16,3 milhões de hectares de áreas degradadas até 2030.
- A recuperação dessas áreas é vista como estratégia de adaptação às mudanças climáticas.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada





