Brasil

O espanto socrático e a experiência estética diante do infinito

Em apuração ?

Como a admiração profunda definida por Sócrates pode transformar nossa relação com o mundo

Segundo um filósofo doutor pela USP, o espanto não é apenas surpresa diante do cotidiano, mas uma experiência estética radical que molda nosso modo de conhecer e sentir o mundo, aproximando-se do conceito do sublime de Kant.

Em um tempo dominado pela pressa e pelo excesso de informações, perder-se na tarefa constante pode cegar para o mistério do mundo. Esse alerta é reforçado por um filósofo doutor pela USP, autor dos livros "Notas sobre a Esperança e o Desespero" e "A Era do Niilismo", que destaca o papel do espanto como uma experiência fundamental para captarmos o que nos cerca.

Segundo esse pensador, o espanto socrático não deve ser confundido com reações triviais, como "sinto espanto diante da política miserável do Brasil" ou "tenho uma admiração profunda pela obra de Dostoiévski". Ao contrário, ele é um tipo de experiência estética radical, uma sensação profunda que nos acomete diante do que desconhecemos, diante do infinito do universo e do puro mistério do Ser que está ao nosso redor — uma experiência que, nas palavras do filósofo, determina a forma como conhecemos o mundo, como nos movemos nele e o significado que lhe atribuimos.

Esse tipo de espanto é o oposto da banalidade do cotidiano, daquela rotina que amortece e dissolve nosso olhar atento. Hoje, acredita o autor, talvez apenas um astronauta possa ter suas impressões próximas do que definiu Sócrates. Do espaço, ao ver a Terra minúscula flutuar contra o universo escuro, indiferente e misterioso, abre-se uma possibilidade de perceber a imensidão e a beleza da existência de forma sublime.

Essa aproximação simboliza o conceito do sublime, elaborado pelo filósofo Immanuel Kant, segundo o qual a capacidade moral humana permite compreender o infinito diante de forças e grandezas que nos esmagam. Curiosamente, é na nossa própria insignificância que encontramos o poder de contemplar essas coisas infinitas, com todo seu significado misterioso e poderoso, como um misto de admiração e humildade diante do desconhecido.

Assim, o filósofo nos convida a resgatar o espanto original, a sentir aquela admiração profunda que vai além do lugar-comum. Ela é uma porta para um modo de pensar e existir que nos desafia a olhar para o mundo com outros olhos, menos ocupados e mais receptivos ao que não entendemos, mas que é essencial.

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O que sabemos?

  • O espanto socrático é uma experiência estética profunda diante do mistério do Ser.
  • Esse espanto molda a forma como conhecemos o mundo e damos sentido a ele.
  • A banalidade do cotidiano nos distancia desse tipo de espanto radical.
  • O conceito do sublime de Kant dialoga com essa experiência ao tratar da capacidade humana de compreender o infinito.

O que ainda não foi confirmado?

  • Informação divulgada apenas por UOL Notícias; aguardando outras fontes.

Fontes

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